Conheça mais um pouco sobre Lívia, personagem da Paola na série "Afinal, o que querem as mulheres?"
>> segunda-feira, 4 de outubro de 2010
RIO - Sigmund Freud não foi capaz de chegar a uma resposta que satisfizesse a pergunta, por ele um dia levantada: "Afinal, o que querem as mulheres?". Chegar a uma brilhante conclusão sobre o assunto também não é a missão do diretor Luiz Fernando Carvalho. Mas partiu dele a ideia original de usar o tema como ponto de partida para a trama da nova série da TV Globo, com estreia prevista para novembro, batizada justamente com a questão do pai da psicanálise.
André, o personagem central da história, interpretado por Michel Melamed, é um jovem estudante de psicologia. E ele, sim, é obcecado por chegar a uma conclusão a respeito da dúvida freudiana. Porém, mergulhado em sua tese, acaba se distanciando de sua mulher, a artista plástica Lívia, vivida por Paola Oliveira. A relação esfria e o casamento acaba.
- É a história de um cara que, no fundo, ainda é um menino e começa a traçar sua trajetória até conseguir se constituir como homem. Está em crise o tempo todo, fragilizado pelo que está acontecendo ao seu redor, sem controle da vida. Afinal, o que querem os homens? O que se quer da vida, de um relacionamento, de uma mulher, de um trabalho? A série não chega a uma síntese, não pretende apontar alguma coisa. Caso contrário, seria sobre a história de um religioso que encontrou o caminho para a divindade (risos) - diz Melamed, que acha que a tal pergunta feita por Freud hoje não teria mais nenhum sentido: - As mulheres não existem. O que existe é cada mulher, cada pessoa, cada homem. E, no final, todo mundo quer carinho. Eu quero!
Na história, depois que se separa, André passa a se relacionar com outras mulheres. A primeira da lista é Tatiana Dovichenko (Bruna Linzmeyer), uma russa bem mais nova do que ele. Mas nem com toda a sua juventude a menina é capaz de fazê-lo esquecer seu verdadeiro amor.
- Lívia é uma mulher forte, que se posiciona quando vê que a relação não está mais legal e o libera. É triste, dolorido, mas é a maneira que ela encontra de deixá-lo fazer seus questionamentos e amadurecer até o final desse processo - conta Paola, pela primeira vez dirigida por Carvalho: - Uma coisa que ele me disse a respeito de Lívia foi que ela seria a referência do amor. É como se todas as outras personagens femininas na história fossem um desdobramento dela.
Para viver a artista plástica, a atriz de "Afinal, o que querem as mulheres" ganhou um ar mais maduro, com figurino moderno e cabelos curtos e escuros.
- O novo visual me ajudou a me sentir mais mulher, mais forte. A sensualidade e a sexualidade fazem parte desse universo abordado na série, mas Luiz Fernando nunca me instigou nesse sentido. É tudo mais sutil, velado - explica Paola.
Além da dupla, também fazem parte da trama Osmar Prado (como Dr. Klein), Vera Fischer (Celeste, mãe de André), Tarcísio Meira (Romeu, pai do protagonista) e Letícia Spiller (Sophia), entre outros.
- Foi fundamental na escolha dos atores a grande mistura de talentos, de várias escolas, idades, com conhecidos e desconhecidos. Algo que criasse um painel contrastante, um microcosmo de Copacabana, aquele caldeirão onde se passa a história - destaca o diretor.
A série ficou pronta em dois meses, depois de 30 dias dedicados a ensaios e oficinas com todo o grupo. O último dia de gravação aconteceu na última semana de setembro, na Casa da Marquesa de Santos, em São Cristóvão, no Rio. A equipe de produção chegou ao local por volta das 6h da manhã para transformá-lo numa escola de pintura onde Lívia estudava. Um dos salões foi tomado por cavaletes e telas e, em outro, a produtora de arte Lara Tausz montou um charmoso café.
- Tínhamos que passar uma verdade naquele cenário. Aproveitei que existe uma fábrica de arte dentro do Projac e encomendei telas a diferentes pintores. No café, cada coisa estava ligada ao assunto. Guardanapos faziam referência a Monet e os 30 figurantes que estiveram em cena eram estudantes de arte - afirma Lara: - É assim quando se trabalha com o Luiz. Tudo é muito estudado. Nada está ali por acaso. A cada gravação, eu estudava com a figurinista Beth Filipecki o tom dos tecidos que ela ia usar nos personagens para encontrar uma harmonia com cores de toalhas de mesa, de objetos em cena, por exemplo.
Atento aos detalhes, Carvalho mostra à equipe o ângulo que está pegando de um dos ambientes. É preciso ter certeza de que o cenário está de acordo com a cena. E, se for preciso, ele repete a gravação até atingir o take perfeito. Durante aquela manhã quente em São Cristóvão, Melamed suou a camisa subindo e descendo uma escadaria repetidas vezes. Enquanto isso, o diretor capturava o movimento, usando a câmera voltada para um espelho, que refletia a imagem do ator. Espelho? Isso mesmo. A cena em questão faz parte do passado do protagonista, num de seus encontros com Lívia. E, para dar aquela impressão de uma imagem pouco definida, como se André só lembrasse de alguns fragmentos do que verdadeiramente aconteceu, Carvalho fez uso desse artifício pela primeira vez.
- A ideia do reflexo, de algo espelhado, me parece próxima à ideia da memória - justifica ele.
O perfeccionismo não compromete, no entanto, o clima da sequência a ser gravada. Nessa hora, um lado brincalhão do diretor vem à tona no set de filmagem.
- O ator, como dizia Platão, é uma mistura de filósofo e atleta - diz ele para Melamed, antes de repetir a tomada mais uma vez. - Você vai chegar lá empolgadão - continua Carvalho, referindo-se ao momento em que André encontra Lívia.
Acostumado ao ritmo do diretor (a parceria anterior foi em "Capitu"), Melamed brinca:
- Vou chegar, literalmente, babando.
Fonte: Globo